Textos

Uma gentileza muda o seu dia

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Pequenas gentilezas podem fazer toda a diferença nos nossos dias.

Fui almoçar em um restaurante a quilo. Quando entrei na fila para pesar o prato, reparei um casal fofo de idosos pesando calmamente o prato deles também. As bandejas estavam cheias e a senhora foi até a praça de alimentação achar uma mesa, enquanto o marido pegava os pratos. Ela pediu um chope, que foi entregue pela funcionária do restaurante ao senhor, mesmo ele já com as mãos cheias, equilibrando pratos e talheres dele e da esposa.
Não sei se foi descuido ou um movimento automático da moça do caixa (prefiro acreditar que sim), mas as duas pessoas que estavam na fila na minha frente, também fingiram que nada acontecia e continuaram aguardando a vez.

Quando reparei a situação, desfiz da minha bandeja no balcão ao lado e fui oferecer ajuda ao velhinho. Ele insistiu que conseguiria levar sozinho. Eu, insisti na gentileza. Levei o chope e os pratos até a mesa que a senhorinha aguardava, desejei bom apetite e quando já ia me virar, ela disse: “Você não trabalha no restaurante, né? Que mocinha simpática, obrigada pela ajuda”. Foi gratificante.
Na minha cabeça, estava fazendo algo óbvio. Não sei se é porque tenho uma avó de 90 anos e ajudo ela nas tarefas (prefiro acreditar que não), mas sair do meu lugar e ajudar o senhor era o mínimo que qualquer um na fila poderia fazer.

Nos meses que passei no Canadá, andei de metrô varias vezes ao dia. Os canadenses são muito educados, mas situações constrangedoras de pura falta de noção acontecem no mundo todo. Lembro de uma vez que vi uma adolescente no banco de prioridade ouvindo alheia a sua música no último volume, enquanto um senhor de no mínimo uns 80 anos se segurava nas barras do vagão. A cutuquei e pedi que desse licença. Ela olhou com a cara feia e saiu resmungando e eu pensei: como pode isso, meu Deus? Parecia tão óbvio.

Esquecemos de reparar nas dificuldades das pessoas que estão em volta (sejam conhecidos ou não). Jogamos a culpa na correria da vida, nos olhos que às vezes estão embaçados pelos nossos problemas e impedem de ver um gesto de gentileza a três metros da gente. Também faço parte dessa turma que gruda os olhos no smartphone para responder e-mails, enquanto espera qualquer coisa. Com certeza já me ceguei, enquanto alguém ao lado precisava ajuda, mas não tinha coragem de pedir.
Já que 2016 veio com cara de renovação, eu proponho que a gente olhe mais para os lados e distribua gentilezas sem limite. Ajudar o casal de velhinhos mudou o meu dia, que nem estava dos melhores. A bondade tem esse poder. Concordam?

Links da Semana, Site Bacana

Links da semana: não comprei na Zara

Um dos meus maiores prazeres na vida é carimbar o passaporte. Também sou uma pessoa que não acredita no mito de que só viaja quem é rico, mas para isso acontecer é preciso fazer concessões diárias. O que mais vale para você? Conhecer um lugar totalmente novo do outro lado do mundo ou aquela blusa linda da Zara que custa mais de duzentos reais?

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Não comprei na Zara

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12 lições para colocar ordem nas coisas

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Em 2016, me deixe comer em paz!

L4
Fala pra ela

L5
10 lugares no mundo para um nascer do sol inesquecível

L6
Disney para velhinhos

L7
13 lições que os quadrinhos nos deram em 2015

Gravidez e maternidade

Diário da maternidade: sobrevivi ao primeiro mês

Um ano novo nunca fez tanto sentido pra mim. Minha impressão é que passei dezembro meio hibernando – não vi o mês, fiquei 95% do tempo em casa, foi até esquisito quando chegou o Natal – e agora que Janeiro chegou acordei e saí da toca. Todo mundo fala que as primeiras semanas com um bebê em casa são punks, e eu estava preparada pra isso, principalmente sem ter experiência ou uma babá pra ajudar… Mas foi ainda mais intenso do que eu imaginava.

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O que deixou tudo complicado não foi não dormir a noite direito (apesar disso ser tenso, principalmente depois de muitos dias assim), mas sim compreender de que a vida mudou – e muito – e além de ter que lidar com essa mudança você tem que lidar com o fato de ter um serzinho dependendo integralmente de você. Foram muitas dúvidas, muito chororô (meu e dela), muitas pesquisas no Google. Até que ela fez um mês, sorriu pela primeira vez e as coisas começaram a entrar nos eixos. Lembro que li uma vez que o período pós parto era um período de luto pra mulher e achei um exagero… Mas é a pura verdade. Se por um lado você está explodindo de amor e felicidade, sem acreditar na sorte que tem por ter um bebê, por outro sente falta da vida como conhecia, que né, jaz. Junte a isso a falta de experiência e o medo de errar e o resultado é o mês mais louco que eu já vivi.

No final de dezembro comecei a me sentir eu mesma de novo, ainda que eu não seja a mesma. Já consigo pensar em outras coisas que não sejam minha bebê, já me interesso novamente por tudo que me interessava antes (ainda que não tenha muito tempo pra nada), já aprendi a otimizar o tempo e fazer tudo que eu fazia em duas horas caber em meia horinha livre. E aí chegou o ano novo.

2016 será meu primeiro ano completo como mãe. Como já comentei aqui no post do look de Natal, acho que o nascimento de um filho é um acontecimento que mexe com a gente tipo um fim de namoro – a vida mudou drasticamente, de repente (bem quando eu me acostumava a ser uma grávida!), e você precisa se acostumar a essa nova realidade e à nova rotina (agora com uma pessoa a mais na sua vida). E no meio disso sinto que me perdi um pouco. Sabe quando você olha suas roupas e não se interessa por nada? Olha o cabelo e quer fazer uma mudança radical? E ao mesmo tempo tem que lidar com um corpo que não é o seu – afinal os quilos extras da gravidez ainda não foram embora por completo e nada que você tem serve direito… Enfim, é um período confuso.

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Mas enquanto eu estou essa bagunça tenho uma bebê que cresce a cada dia. Eu sei que todo mundo fala que eles crescem rápido, mas é surreal ver a evolução dela de um DIA pro outro! A gente pisca e ela começa a sorrir, a observar as coisas no entorno dela, as roupinhas que estavam ótimas começam a ficar pequenas. Cada dia que passa fica mais gostoso, ela interage mais e a gente se conhece melhor. Já aprendemos juntas a superar as dificuldades da amamentação, a entender como dormir (e eu aprendi a conseguir dormir mesmo morrendo de preocupação a cada barulhinho que ela faz), a compreender cada tipo de chorinho.

Se eu puder dar meus palpites pra quem está prestes a passar por essa fase (coisa que vou me policiar pra fazer apenas nesse post – nada mais chato do que os palpites não solicitados nessa fase tão delicada!), aqui estão:

Amamentar é mesmo tão difícil quanto dizem. Se prepare, procure ajuda quando parecer difícil demais e não desista nas primeiras dificuldades. Depois de alguns dias aprendi a maneira certa de posicioná-la, as dores passaram e tudo ficou mais fácil.

A história de “durma quando o bebê dormir” é meio furada – só funciona se você tem ajuda pra absolutamente todo o resto. Se tiver, que bom! Mas se não tente aproveitar pelo menos uma das sonecas do dia para descansar também – eu fiquei frustrada com o pouco tempo no início, mas é essencial tentar dormir um pouco de dia, já que à noite você terá que acordar em intervalos regulares pelo menos nas primeiras semanas.

– Pode parecer impossível, mas tente sair de casa sozinha. Aproveite o intervalo das mamadas e vá fazer a unha ou qualquer coisa que você queira (uma massagem também cairia muito bem!), deixe o bebê com alguém de confiança e vá feliz. Se não der, desça um pouco com o bebê, dê uma volta no prédio ou na rua rapidinho… Só de sair de casa meu humor virava outro! Fiquei outra depois de uma noite em que meus pais cuidaram da pequena pra gente sair pra jantar só nós dois (eu ordenhei o leite e deixei pra eles darem pra ela, funcionou super!).

– Lembre que o choro é maneira que o bebê tem de se comunicar com você, ele não fala! Então choro não quer dizer que ele está sofrendo, apenas quer te dizer alguma coisa. Pode ser fome (95% das vezes é!), pode ser uma fralda molhada, pode ser sono. Também pode ser saudades do seu colo, hehe! E pode parecer impossível nos primeiros dias, mas eu JURO que você vai começar a entender cada chorinho depois de uns quinze dias de convivência.

Nosso primeiro mês foi difícil, mas maravilhoso. É incrível poder acompanhar as várias primeiras vezes dela – nada mais gostoso do que poder ver de perto as reações dela ao conhecer o mundo. O segundo mês promete ser mais fácil e mais gostoso. Mal posso esperar pra ver o que ela vai descobrir nos próximos dias =)