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Lifestyle

O feminismo e a latinidade na arte de Priscila Barbosa

23.02.2021
Redação Chata de Galocha

Sabe aquela clichê – e por isso mesmo, tão verdadeira – frase “uma imagem vale mais do que mil palavras”? Não há dúvidas de que ela se encaixa perfeitamente na nossa entrevistada desta semana.

Priscila Barbosa é uma artista visual, muralista e ilustradora que, por meio da sua arte, transmite mensagens de feminilidade, latinidade e sororidade. Suas criações ainda questionam padrões estéticos, relações de poder e questionam os aspectos políticos que existem por trás de todas as questões. Tudo isso, com imagens que também exalam poesia e sensibilidade.

Neste bate-papo, vamos poder conhecer um pouco mais do trabalho desta artista que, recentemente, lançou uma collab com a Renner:

Qual a sua formação, há quanto tempo você ilustra e como começou a fazer ilustração?

Sou formada em Artes Visuais e meu início de carreira com arte foi dentro da área da educação cultural em Instituições de São Paulo. Embora eu falasse desde criança que meu sonho era ser artista, essa ideia ficou um pouco de lado por algum tempo e só foi retomada quando eu decidi ir pra área do design e ilustração por sentir falta de criar. A partir daí ficou claro que eu só me sentiria realizada se pudesse criar de maneira mais livre e autoral, abordando os temas que faziam parte das minhas reflexões pessoais e unindo artes visuais, muralismo e ilustração.

A latinidade feminina é um tema presente na sua arte. Como essa temática surgiu na sua vida?

Desde o início dos estudos no feminismo, estive à procura de autoras e estudiosas que contemplassem vivências de mulheres mais próximas da minha. Existem muitas mulheres incríveis falando sobre feminismo, porém o contexto América Latina deve ser levado em consideração nas análises interseccionais e esse ponto me chamou atenção.  Me fez querer, cada vez mais, incentivar que nos víssemos como mulheres latinas para também construir pontes com mulheres de outros países que têm experiências similares de vivência e colonização.

Você estava no Chile durante os protestos de 8M. Como foi essa experiência e o que ela mudou em você?

Foi incrível poder me juntar às chilenas nas ruas e observar a maneira que elas se organizam e se manifestam. Me fez repensar muitas estratégias que usamos no Brasil. O intuito era estar na Argentina novamente esse ano, porém a pandemia adiou esse plano.

Que tipo de mensagem deseja passar para quem te acompanha? 

Que as mudanças só são possíveis quando a gente se articula e que precisamos nos acolher.

O que mais te inspira?

A principal investigação envolve a observação das mulheres latinoamericanas e suas vivências de luta. Essa reflexão vai passar também pela minha relação com a linhagem de mulheres da minha família, pela análise de como as mulheres se relacionam entre si, e pela relação que estabelecemos com nossos corpos. Investigar diferentes corpos de mulheres é uma maneira de propor percepções críticas sobre os padrões estéticos e comportamentais vigentes, uma estratégia de enfrentamento e questionamento das relações de poder. Falo sempre que controlar nossa aparência é só uma maneira de controlar nosso comportamento. Esse questionamento presente no meu trabalho se amplia pelo uso das redes sociais, e consequentemente alcança outras mulheres com mais naturalidade. É justamente esse o intuito, que nossos corpos sejam naturalizados e que a conversa entre nós também, propondo que nos articulemos coletivamente.

Que outros artistas você tem como referência?

Não diria que como referência, mas vou citar duas artistas cujo trabalho me emociona e me motiva: Jenny Saville e Ana Mendieta.

Recentemente, você lançou uma coleção em parceria com a Renner. Como aconteceu esse convite e como foi o desenvolvimento dela?

A Renner estava no intuito de inserir jovens artistas em coleções colaborativas e foi muito legal poder trocar uma ideia com eles e lançar peças que tivessem a ver comigo também no discurso. Me deram liberdade de poder lançar parte dos modelos na grade plus size, o que foi um sucesso. Lançamos também a grade convencional de masculino, feminino, pijamas e produtos de cuidados pessoais.

Tem novos projetos em vista que você pode adiantar pra gente?

Em Março, vou participar com duas pinturas de uma exposição na Casa Jacarepaguá, em São Paulo. É uma chance do público ver esses trabalhos ao vivo.

Para quem deseja uma arte exclusiva sua, como faz? Tem um valor mínimo?

Para reproduções é possível acessar minha loja online. Para trabalhos originais e comissionados é só mandar um email e falar com a minha agente Carolina Herszenhut.

3 Comentários  |  Deixar Comentários

Comentários:
  1. Nattany Maritns    25/02/2021 - 09h32

    Vim aqui dizer que já passei na lojinha dela e escolhi o modelo de quadro que mais se parece comigo, em breve meu quarto terá um Priscila Barbosa, me sinto chique agora! hahahaha

  2. Dollores    26/02/2021 - 14h51

    Que ideia sensacional de trazer mulheres inspiradoras. Seu conteúdo sempre a frente, trazendo pautas interessante e importantes.
    Realmente um trabalho belíssimo da Priscila Barbosa. Não conhecia gostei de conhecer.
    Conheço uma designer de BH que também é inspiração pura. Ela desenvolve acessórios autorais usando como matéria prima descartes da indústria, suas colaboradoras são mulheres do bairro dela, não usa plástico nas embalagens e traz em suas criações conceitos sobre ser e feminino. Sou muito fã. O nome dela é Fernanda Torquett. Poderia trazer ela aqui tb

  3. Beatriz Rodrigues    04/03/2021 - 15h37

    Priscila é um anjo, o seu trabalho é impecável. Eu tive o prazer de ter um livro estampado com a ilustração dela!

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