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Saúde e bem estar

Março Amarelo: Vamos falar sobre endometriose?

23.03.2021
Redação Chata de Galocha

Você sabia que uma a cada dez mulheres no Brasil tem endometriose? É até estranho pensar que, mesmo com um número tão expressivo, muitas mulheres não façam ideia do que seja a doença. Mas a verdade é que realmente não se fala tanto quanto devia sobre ela. E mais: é provável que você conheça alguém que a tenha e nem imagina.

Aproveitamos o Março Amarelo, mês da Conscientização da Endometriose, para conversar com a Dra. Quésia Villamil, que é ginecologista e mestre em Endometriose, e tirar algumas dúvidas sobre esse problema que atinge o sistema reprodutor feminino. Vale à pena conferir, mesmo se você não for diagnosticada com ela.

O que é a endometriose?

Endometriose é uma doença feminina, benigna (não é câncer), caracterizada pela presença de implantes de tecidos semelhantes ao endométrio fora da cavidade uterina.

Quais os sintomas mais comuns?

Os mais comuns são dor na região da pelve e infertilidade (dificuldade para engravidar). Mas muitas mulheres têm implantes de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina e não têm nenhum sintoma. 

Quais outros sintomas estão relacionados à doença e muita gente não sabe?

São vários. Alguns exemplos: 

  • Dor na relação sexual
  • Dor intensa quando tem ovulação
  • Sangramento ao evacuar
  • Dor ao evacuar
  • Cólicas menstruais intensas
  • Dor ao urinar
  • Sangramento ao urinar
  • Diarreia
  • Constipação intestinal

Quais as formas de identificar a doença?

Primeiro, suspeita-se quando a mulher tem os sintomas clínicos ou a dificuldade de engravidar. Então, o ginecologista realiza o exame físico, através do toque bimanual, quando ele pode já perceber sinais de implantes endometrióticos.

Os exames complementares atualmente são bastante sensíveis para o diagnóstico, como a ressonância magnética de pelve e ultrassom endovaginal, com preparo realizado por profissional habilitado.

Entretanto, o padrão-ouro, ou seja, o exame mais sensível e que detecta 100% das lesões é a videolaparoscopia, que também já é um tratamento.

Quais os tratamentos disponíveis?

O tratamento é realizado de acordo com o que a mulher deseja no momento. Se ela deseja alívio da dor, o tratamento será direcionado para isto. Se ela deseja engravidar, o tratamento será neste sentido. Se ela não tem dor, não deseja engravidar,  mas descobriu a endometriose, então o tratamento será no sentido de limitar a progressão da doença para que num futuro ela não tenha sintomas.

Os tratamentos clínicos visam bloquear o crescimento das lesões. São basicamente com “anti-hormônios”, bloqueadores da ação do estrogênio nos implantes. Entretanto, para muitos casos estes tratamentos não são recomendados, de acordo com o grau da doença. E então indica-se o tratamento cirúrgico.

O tratamento cirúrgico depende do grau de acometimento da endometriose. Se as lesões são superficiais consiste em retirá-las. Quando há lesões no ovário, os “endometriomas” são removidos e, quando há lesões extensas, envolvendo órgãos como intestino e bexiga, estes órgãos também são abordados no tempo cirúrgico.

A cirurgia resolve definitivamente o problema?

Pode resolver, sim. Mas a endometriose pode voltar, porque todo mês quando a mulher menstrua o sangue reflui pelas trompas e novos implantes podem ocorrer na pelve.

A infertilidade é uma regra?

Não.  Não existe associação entre a intensidade dos sintomas e o estadiamento da doença.

Isto é, mulheres com graus elevados de invasão tecidual podem ser férteis e mulheres com lesões superficiais podem ser inférteis.

O que mais acha importante a ser dito? Alerta, conselho…

Tivemos um boom de endometriose nas últimas décadas. A maioria das mulheres não sabe, mas todo mês, ao menstruar, ela está implantando endométrio em sua cavidade pélvica, e assim correndo o risco de ter endometriose. Uma mulher que tem seu primeiro filho aos 30 anos, por exemplo, menstrua por cerca de 18 anos seguidos. Sabe qual o risco disto?

Todas nós, ao menstruar, eliminamos sangue por duas cavidades: pela vagina e pelas trompas. Só que a maioria das mulheres, as que não têm endometriose, tem um sistema celular que “varre” as células endometriais da pelve.

Mas algumas mulheres, que têm uma propensão genética, ao longo dos anos, mês após mês com estas células endometriais se implantando lentamente em seu peritônio pélvico, acabam formando tecido endometriótico ali e desenvolvendo endometriose.

Tenho essa conversa franca com todas as minhas pacientes quando vamos escolher método contraceptivo, quando vamos falar sobre menstruação, quando falamos sobre cólica menstrual, quando tem história de endometriose ou de infertilidade ou de cólicas fortes na família. 

Existe um mito de que menstruar é sempre saudável, é bonito… Seria bonito se ela menstruasse poucas vezes, como sua avó, e aí já engravidasse. Precisamos parar de ter preconceito com bloquear seus estrogênios.

1 Comentário  |  Deixar Comentários

Comentários:
  1. Gabriela Alves    31/03/2021 - 23h13

    Eu amei ver sobre este tema aqui no blog. Tenho 26 anos e fui diagnosticada com endometriose aos 22. Sofria com dores terríveis de cólica e era um tema pouco falado. Ver esse tipo de conteúdo tão importante me orgulha de acompanhar o blog desde 2011. 💖

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