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Lifestyle

A bandeira LGBTQIA+ do “Pão que o Viado Amassou”

17.06.2021
Redação Chata de Galocha

Uma das coisas mais incríveis dessa série que temos feito sobre empreendedorismo é descobrir pessoas que possuem muito mais que uma empresa; elas defendem causas e criam marcas com propósito. 

E como estamos no Mês do Orgulho LGBTQIA+, é claro que não deixaríamos de exaltar quem carrega todas as cores da bandeira em seu negócio. E para representar todos os empreendedores que fazem de seus produtos um instrumento para a luta do movimento, entrevistamos o Gabriel Castro, dono de um negócio que possui o MELHOR NOME que uma padaria poderia ter: O Pão que o Viado Amassou. Demais, né?

Da pandemia se fez o pão

Sempre temos conversado com empreendedoras que tiveram que encarar desafios, se reinventar e, até mesmo, pausar alguns projetos, devido à pandemia. Com o Gabriel, isso não foi diferente. No entanto, ao invés de precisar adaptar, a esse momento, uma empresa que já existia, o que aconteceu foi que ele viu nesta fase de crise, uma oportunidade para criar seu negócio.

Ele, que é ator, dj e trabalha com circo, ficou sem emprego e o que começou como um passatempo, mostrou-se a possibilidade de se tornar um ganha pão (não resistimos ao trocadilho!). E foi de uma ligação, que surgiu o insight: 

“Um dia, uma amiga perguntou como todos estavam e respondi que estávamos todos bem, só comendo o pão que o viado amassou. Como as pessoas falavam para eu começar a vender meus pães, percebi naquele momento que fazia sentido fazer isso, abrir uma porta de diálogos e criar uma ponte entre pessoas que não conhecem tão profundamente a causa LGBTQIA+ e que, por meio do pão, poderiam se informar mais e virar aliado do nosso movimento”.

Pão e circo? Política também! 

Para Gabriel, toda e qualquer ação que temos no dia a dia é por si só um ato político. Mas, claro, reconhece que, ao criar uma empresa cujo nome é o Pão Que o Viado Amassou, isso se torna muito mais destacado.

E, em um país homofóbico como o Brasil, seria de se esperar reações bem negativas a um empreendimento assim. Mas, felizmente, a resposta não poderia ser melhor: “Para minha surpresa, tem sido bem tranquilo. As pessoas estão compreendendo do que se trata o nosso discurso e estão somando, ajudando a levar para frente um pouco do diálogo sobre tolerância, aceitação e respeito. Achei que teriam mais barreiras, já que sabemos que o mar não está para sereias, mas tem sido gostoso descobrir que temos aliados onde menos se espera”. 

“Não diga alô, diga nhaíííí, tutupão?”

É exatamente assim que começa a mensagem automática que a empresa envia para quem manda uma mensagem para o seu whatsapp. E a criatividade não para por aí. Veja só:

Gabriel conta que essa forma de comunicação é uma forma de entregar mais sobre o universo LGBTQIA+ e fazer com que quem não tem intimidade com esse universo, passe a ter algum contato. “Requer um pouco de ousadia e de coragem, porque sabemos que a escolha foi justamente não praticar um discurso que segue as regras comerciais, mas tem dado certo. As pessoas percebem um diferencial no atendimento e se sentem acolhidas e isso tem sido muito gostoso”.

E é justamente a ampliação desse diálogo o maior objetivo do empresário com a padaria. Ele fala que sonha que a empresa cresça no sentido de levar essa ponte para mais lugares: ”A pessoa quando recebe na sua casa um pão maravilhoso cheio de glitter e recados, o alimento vira uma ferramenta de transformação. Não acho que vou curar a homofobia no Brasil, estamos longe disso. Mas quanto mais pessoas eu conseguir angariar para ficarem do nosso lado, mais feliz eu termino meu dia.”

Pelo amor de Cher!

Para finalizar, tivemos que fazer a nossa pergunta tradicional: Que personalidade do mundo LGBTQIA+, ele sonharia em receber um dia na padaria? “Sem a menor sombra de dúvidas, a Cher, né? O dia que ela descobrir que tem uma empresa em Curitiba que reverencia a sua história e que a acha um símbolo para o movimento, aí estará completíssimo, não tenho nem roupa para esse momento”.

O empresário exalta ainda nomes aqui do Brasil que vêm fazendo a revolução: Não tem como não falar da Pabllo, da Glória Groove, da Linn da Quebrada, do Rico Dalasan, do Potiguara Bardo, do Gabeu, que já está conosco… Fico feliz de ver o Brasil como um expoente em colocar as bichas num lugar de mais destaque por coisas boas”.

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1 Comentário  |  Deixar Comentários

Comentários:
  1. Giovanna Catanho    30/06/2021 - 19h05

    Eu amei! Queria morar em Curitiba para comer o Pão que o Viado amassou.

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