Blog Chata de Galocha

Chega de sofrimento de luxo

IMG_0663
Já faz alguns anos, mas não consigo parar de pensar em Taís. Vez ou outra congelo meu olhar em qualquer cena desimportante e lembro da moça, no mesmo momento em que meus olhos involuntariamente se enchem de lágrimas. Taís me marcou.

A conheci no avião. Eu, muito mal humorada, depois de aguentar na primeira escala de vôo, um bêbado que havia tomado várias doses de whisky para conseguir controlar seu medo de altura. Ela, carregando uma mochila rosa choque, um Ipod colorido e um sorriso sem-graça. Pediu licença e sentou no assento da janela. Agradeci por nessa próxima escala, não ser outro chato, uma senhora tagarela ou mais um bêbado. Era só uma mocinha tranquila, sem muita maquiagem no rosto, que não se importaria se eu fingisse de muda e fôssemos até Recife como duas estátuas.

Eu lia um livro com o título “Por Falar em Amor”, da Marina Colassanti. Dez minutos de vôo, um cutucão e… “Ei, posso te fazer uma pergunta? Reparei seu livro. Se você perdesse tudo da sua vida, ainda assim, você acreditaria no amor?” Levei o maior susto. Só podia ser alguma pegadinha. Abobada, procurei as câmeras. Ela falou comigo, e me olhava, esperando uma resposta. Improvisei: “Oi? Ué… Amor, amor mesmo? Acho que não. Será? Ah, possivelmente sim. Não sei. Me desculpe, não sei responder, por que?”. Estávamos só decolando e ela começou a chorar.

Desconcertada, perguntei o que estava acontecendo, pedi desculpas, mas disse que para ajudá-la precisava entender. E como quem conta o que comeu no almoço ontem, ela soltou: “Meu nome é Tais, desculpa. Que vergonha. Me desculpe por chorar, é a primeira vez que ando de avião e isso me emociona porque meu marido ficaria muito feliz se estivesse comigo. Ele morreu em maio”, e me mostrou no seu celular fotos dos dois juntos no casamento, na lua de mel, na praia, no carnaval de Salvador, na formatura da prima. Meu Deus! Como aquilo começou a me doer. Era como se sem querer uma voz esganiçada repetisse no meu ouvido “e ela só deve ter uns 20 anos, e ela só deve ter uns 20 anos, e ela só deve ter uns 20 anos”. Engano meu. Ela tinha 19, casou com 18.

Foi difícil não notar que a barriga de Tais estava como uma barriga de grávida, mas não ousei perguntar. Se havia alguém ali que ganhou a opção de se intrometer na vida do outro, era ela na minha. Perdi todos os meus direitos como ser-humano sofrível. Nesse momento, eu era a Cinderella, morava no paraíso e meu mundo era colorido como o dos Ursinhos Carinhosos. Ficar calada e escutar era a coisa mais humana que eu poderia fazer. Nos 90 minutos de vôo, me rendi a ouvir várias histórias bonitas do casamento. Ela se emocionava e chorava baixinho, escondendo educadamente a tristeza enorme que tinha no peito.

De repente, o assunto surgiu. “Você já deve ter notado a minha barriga, perdi nossa filha faz um mês, e ainda não estou totalmente recuperada. Ela ia nascer saudável, mas a médica que estava de plantão no hospital, não era a minha que acompanhou toda a gravidez e se NEGOU a fazer o parto. Minha bolsa estourou e a criança não suportou esperar. Estou processando o hospital. Olha, nasceu morta, mas tirei uma foto. Maria Clara, olha só”, mostrou. E nessa hora eu chorei. Não deu, pedi arrego. Eu cedi e chorei. Eu quis muito que o avião descesse e senti uma vontade imensa de gritar pra todo mundo o quão ridícula eu era por já ter sofrido por amores que fisicamente existiam na minha vida. Não foi o destino e muito menos Deus que quis me dar uns belos socos no estômago e a colocou ao meu lado no avião, como quem diz: “Viu, Marcella? Sua sofredora de uma figa! Isso que é sofrer de verdade!”

Não. Não foi nada disso. Foi só a aeromoça que nos sorteou em qualquer assento, pouco preocupada a que passo andava nossos corações. Acontece, coincidências da vida. Dois anos se passaram e eu continuo pensando o que é isso que às vezes chamo de desamor. Me odeio muito por ser fraca e depositar lágrimas em coisas tão pequenas. Depois de tudo que ouvi de Taís, de todos arrepios que senti, francamente: “sofrer” porque o cara não liga, porque o namoro acabou, porque fomos trocadas por outra mais interessante, pode até ser sofrimento. Mas não passa de sofrimento de luxo.

Ela levou de mim o abraço mais sincero quando pousamos em Recife. E se eu a visse de novo, em qualquer esquina do mundo, responderia: acho que existe amor sim, Taís. E torço para que você encontre de novo e do mais puro, pelo resto de sua vida.

Links da Semana, Site Bacana

Links da semana: makes, autoconfiança e feminismo

De tudo um pouco. Esses são os links dessa semana. Tem duas makes baphos e diferentes para fazer no Natal (e no ano inteiro, por que não?), tem um texto super legal falando sobre o desapego do cabelão e tem texto falando sobre o silêncio (mais que necessário) quando se está em um relacionamento. Vem ler comigo!

L1
Make bapho para o Natal

L2
Make bapho para o Natal 2

L3
Homem tem que pagar a conta?

L4
Decorando o apê de aluguel

L5
Elas (e eles) também são feministas

L6
Autoconfiança depois dos 30.. Ou como largar o cabelão

L7
Sobre sentir saudades de casa

L8
Até onde as mulheres vão atrás dos padrões?

L9
Amor também é saber ficar em silêncio

Blog Chata de Galocha, Perfume, publieditorial

NY + Baunilha = MYNY!

myny1
Recebi há alguns dias um perfume que me chamou a atenção de cara: o MYNY de DKNY! Só o nome já me fez ficar curiosa, afinal vocês sabem que amo NY – quem não ama? Uma vez falei isso pro policial da alfândega no JFK e ele abriu um sorrisão orgulhoso, hahah!
Conhecer a cidade era sonho de infância e o mais louco é que eu achava que eventualmente iria enjoar do lugar, sabe? Tipo visitaria tudo que tivesse vontade e depois iria parar de achar graça, me apaixonar por outra cidade e deixar NY pra lá… Mas até hoje isso não aconteceu, mesmo depois de tantas visitas! Não sei porque sempre tive essa tara com a cidade, tão diferente da minha – BH é calma, a gente chama de roça grande, já que é pacata e quase todo mundo se conhece – totalmente diferente do mundo que existe em NY. Às vezes era justamente vontade de conhecer algo diferente, né?
myny2
A paixão era tanta que a primeira viagem ficou marcada no meu pulso, vocês sabem, né? E acho que quase todo mundo tem uma paixonite por NY, a cidade parece mudar a cada ano e sempre existe algo novo para conhecer, uma nova região bombando, um restaurante inovador, uma loja diferente… Não se esgota nunca! Por isso achei super apropriado o formato do frasco do MYNY – é um coração! A parte de cima ainda tem uma referência bonita ao skyline da cidade, repararam?
myny3
E se não bastasse ter minha cidade favorita como tema, MYNY também tem baunilhaaaa! Hahaha, como não amar?? As notas de topo são framboesa, gálbano e pimenta rosa, as de meio jasmim egípcio, fréscia fúcsia e raízes de lírio e a base de baunilha, pachuli e musk. O resultado é um perfume levemente adocicado, um floral suave com fundo amadeirado que é fresco e gostoso pra ser usado tanto de dia quanto à noite.
myny4
Fica a dica de presente para aquela sua amiga que você sabe que é apaixonada por NY e também por perfumes frescos e adocicados! MYNY já está à venda nas maiores perfumarias do Brasil, em embalagens de 30 e 50ml.

#MYNYINBR #DKNYMYNY #DKNY