Textos

Você já se levou pra jantar?

dizer (7)

Eu poderia ter convidado o namorado ou uma amiga, minha mãe ou a minha vizinha. Mas preferi ir sozinha. Consegui: me levei para jantar e foi incrível. E não, não foi como sentar no restaurante a quilo e almoçar sozinha por quinze minutos. Dessa vez foi diferente.

Escolhi um restaurante japonês que adoro. Desses lugares que eu só fui em ocasiões especiais e tenho lembranças boas. Eu também poderia ter colocado qualquer roupa, prendido o cabelo, calçado uma rasteirinha e pensado “ah, não vou com ninguém, então vou de qualquer jeito”. Mas preferi fazer escova e me maquiar. Mais ou menos como diria Alícia em The Good Wife: “as pequenas coisas são importantes porque elas trazem alegrias enormes, você tem que começar por elas”. Eu tinha que fazer exatamente como se estivesse indo jantar com alguém até nos pequenos detalhes. Só saí de casa quando olhei para o espelho e pensei “é, tô gata”.

Quando cheguei no restaurante, enfrentei a parte que imaginei que seria a mais difícil. “Boa noite, senhora. Mesa para quantas, pessoas?”. O restaurante estava lotado de casais. Pedi uma mesa de canto. Não porque estava com vergonha (juro que evitei ao máximo fazer aquela cara de “estou esperando alguém chegar” ou “pode ficar com pena, levei um bolo”), mas porque não gosto de mesas que ficam no MEIO do restaurante (alô, paranóia!). Assim que sentei, tive uma vontade absurda de pegar o celular para me entreter com 15 notificações que pulavam na tela. Segurei as pontas.

Pedi uma dose de saquê, a entrada, duas taças de vinho e o meu combinado preferido. Depois, mudei para uma mesa que dava para a rua. Consegui ficar por quase três horas sem mexer no celular. Cheguei a conclusão que se eu tivesse com a cabeça abaixada, vidrada na telinha, teria perdido cenas lindas, como um casal de idosos caminhando de mãos dadas na rua, dois gatinhos filhotes que passaram e o casal da mesa diagonal a minha se esmagando de tanto amor. Sem querer, acabei ouvindo a conversa da mesa da frente. A sorte é que o papo estava ótimo e quando percebi, fiquei tão envolvida nos casos, que quase dei tchau para a galera da mesa quando fui embora. “Tchau, gente, foi um prazer quase-jantar com vocês!”.

Pensei. Pensei muito, muito. Refletir sobre a vida foi o que mais fiz. E foi uma delícia, mesmo não chegando a conclusão nenhuma e pensando em coisas realmente aleatórias (o objetivo de “sair sozinha para jantar num sábado a noite” era fugir dos problemas, ao invés de lembrar deles).

Ninguém olhou de cara feia, ninguém fez cara de dó e eu estava tão desencanada que se algo desse tipo aconteceu, nem percebi. Tive um atendimento impecável do garçom e fui muito feliz naquela parte de “escolher o que quero comer e beber no meu tempo”. Eu fiz TUDO no meu tempo.
Cheguei em casa leve. Não tive aquela sensação de “agora vou sair de verdade, então vou chamar ALGUÉM para fazer alguma coisa”. Nada disso, ué, eu JÁ TINHA feito alguma coisa. Eu tinha me levado para jantar.

Como diz a frase que decorei de um texto maravilhoso: “Aprenda a ficar sozinha e gostar disso. Não há nada mais libertador e poderoso do que aprender a gostar da sua própria companhia”. Concordo, é libertador de verdade.

Links da Semana, Site Bacana

Links da semana: quando é melhor ser feliz sozinho

Dizem por aí que felicidade só é real quando compartilhada. Apesar de ter acreditado nesse ditado por muito tempo, tenho percebido cada vez mais que felicidade verdadeira só acontece quando estamos felizes e inteiros sozinhos. É melhor estar só por inteiro do que em relações pelas metades. Vem ver o que mais encontrei essa semana:
L1
Empoderamento feminino e Rihana

L2
Quando é melhor ser feliz sozinho

L3
Band-aid

L4
8 ótimos livros para quem quer trabalhar com moda

L5
5 ótimas playlists para ouvir no Spotify

L6
Para a próxima garota

L7
Sobre nomes e proporções

Gravidez e maternidade

Apaixonada.

Antes da Bia nascer eu costumava imaginar como seria minha vida com ela. Visualizava eu, ela e Leo passeando de carrinho, almoçando juntos num restaurante com ela na cadeirinha… Imaginava um bebê risonho e brincalhão, gordinho. Hoje ela completa cinco meses e posso dizer que estou vivendo tudo o que sonhava durante a gravidez.
Bia acorda de manhã e fica quietinha no berço, brincando de morder a roupinha ou a manta. Quando chegamos para vê-la ela geralmente abre um sorriso delicioso de bom dia, o que me faz automaticamente sorrir também, independente se são cinco ou sete da manhã (ela acorda sempre nesse intervalo). Daí a pouco ela se lembra da fome e me olha já pedindo pra mamar. Depois da primeira mamada é hora de brincar e tomar sol. Vem a segunda mamada da manhã em seguida ela vai ver os amiguinhos no playground e aproveitar mais o sol.

cincomeses
Durante a tarde ela fica super agitada: não consegue se concentrar pra mamar muito porque quer ver tudo o que acontece em volta e lá por volta das seis começa o seu período mais animado. É hora de brincar no tapete, onde ela rola, brinca com os chocalhos, morde as pelúcias, aberta o botão maiorzinho que faz seu bichinho favorito cantar. Quase na hora do banho é hora de música, que ela ama: bate os bracinhos e perninhas repetidamente e abre um sorrisão quando escuta as suas favoritas. O dia termina com o banho e uma última mamada, quando ela vai se acalmando, fechando os olhinhos devagar, até dormir.
Entre cada atividade temos sorrisos, mini gargalhadas e gritinhos, numa sucessão de fofura sem fim que me deixa completamente apaixonada. É assim que me sinto agora: sabe início de namoro, em que você só pensa na pessoa, só quer dar um jeito de estar com ela, falar com ela, beijar e abraçar? Só tenho olhos pra Bia ultimamente!
E estou aproveitando cada minuto dessa paixão, mesmo sabendo que tenho deixado todo o resto da vida (inclusive o blog e minhas redes sociais) meio de lado. Me assusta pensar que daqui um mês ela já completa seis, passa rápido demais (e ao mesmo tempo é tão devagar..!)! Então me desculpem a ausência, mas é culpa de uma paixão avassaladora por um serzinho rechonchudo, sorridente e que conheci há pouco tempo. Estou aproveitando cada segundo dessa fase deliciosa, que eu espero que demore a passar =)